quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Fofoletes

Sexto período da faculdade, primeiro semestre de 2010. Aquele momento da vida em que você percebe que encontrou um propósito, que decidiu o que quer fazer da vida pelos próximos 30 anos, ou mais. As aulas de Psicologia da Educação me encantavam e iluminavam o caminho a ser percorrido. Em Tópicos de Educação Matemática foi quando tudo se encaixou e eu percebi que não era a única sonhadora que achava que poderia mudar o mundo através da educação.

Como se "mudar o mundo" fosse uma coisa fácil, né? Bateu aquela depressão quando calculei o percentual de pessoas que seriam contagiadas pelos meus ideais. Percebi que isso era muito diferente de "mudar o mundo". Mas um professor muito sábio me disse que o importante era contribuir de alguma forma, fazer a diferença. Que aqueles poucos alunos iam me levar no coração por muito tempo se eu fizesse a coisa certa. E já teria feito toda a diferença porque eles continuariam contagiando pessoas com o mesmo amor que eu ofereci outrora. De fato, era verdade.

Essa semana me despeço de muitos alunos. Alguns se formando, outros que vou acompanhar de perto mas que não terão aula comigo, outros que só vou poder acompanhar de longe, infelizmente... embora a saudade já esteja me apertando o coração, todas as mensagens que tenho recebido e todos os depoimentos que ouvi até agora me fizeram transbordar de felicidade e me fazem acreditar que estou fazendo a coisa certa! Alguns trechos pra você entender a minha emoção:
"Você me inspirou e quero ser professora também. Você é mais que nossa professora, é nossa amiga."
"Iremos sentir falta da melhor professora de matemática/trigonometria do mundo e daquelas aulas super legais e suas dinâmicas loucas!"
"Obrigada por tudo, principalmente por ter feito parte da minha história."
"Você é a melhor professora de matemática/trigonometria que já tive. Quero fazer o terceiro ano com você."
"Vamos sentir muita saudade, não só da professora Natasha, mas da amiga e companheira."
"Queria dividir novas experiências e conquistas com você!"
"Vou levar você pra toda a minha vida, todas as suas palavras, conselhos, piadas e conversas."
"Eu tenho certeza que o interesse que você despertou em mim vai ser uma marca muito grande..."
"Natasha, não sei como vai ser sem você."
"Você foi mais que uma professora pra todos nós. Foi uma mãezona, uma tia chata, mas o mais importante... você foi uma amiga."
"Com quem a gente vai zuar? Com quem a gente vai ficar irritado com aquele barulho de piloto batendo no quadro?"
"Você mudou meu Natal, cara! Agora sempre que rola aquela música de Natal em algum lugar eu lembro da tabela seno, cosseno e tangente." (kkkkkkkkkk)
"Você não sabe como a gente te ama, acho que ninguém pode explicar."
"Você foi a melhor professora de todas!!!"
"Eu nunca vou te esquecer."
"Eu te amo!"
...e taaaaaantas outras mensagens lindas!

Minha missão, amigos, não é ensinar matemática. Nunca foi, nem nunca será. A matemática é o meio que me utilizo para desenvolver dentro de cada sujeito um cidadão de personalidade, um ser pensante, crítico, reflexivo, motivado, encorajado, criativo. Que acredita no seu potencial e vai a luta, independente, corajoso, com garra e certeza de que vai dar o melhor de si. Serei o pai rigoroso e inflexível se necessário for. Mas sempre com o propósito de vê-lo crescer e brilhar mundo afora. Afinal, como ensinar alguém a andar de bicicleta: empurrando e segurando sempre o banco pra ele não perder o equilíbrio ou incentivando, motivando e cuidando dos machucados até ele conseguir pedalar sozinho, leve como uma pluma?

Sei que tenho pouca experiência e que ainda tenho muito a ser lapidado. Três anos de carreira não são nada perto de uma vida toda de experiências, é bem verdade. Se aprendi muito nesses três anos em sala de aula, principalmente neste último ano, imagino o quanto ainda tenho pra aprender daqui pra frente. E não vejo a hora!

Que meus alunos saibam que tudo que fiz e faço é porque os amo e almejo o melhor pra eles. E como todo amor, é inexplicável e imensurável. Vocês são como meus filhos e cada um vai ter sempre o seu espacinho especial marcado dentro do meu coração.
#titiaamavocês
#fofoletes
#natmeajuda
#natvaifazerfalta
#natashiane
#partiuTS
#tônoskypeseprecisaremdeajuda

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Eu-lírico amarrotado

Certa vez estava lendo o livro "Caminho, verdade e vida", psicografado por Chico Xavier, pelo Espírito Emmanuel e me deparei com uma frase muito interessante no final do texto 58 que dizia o seguinte: "(...) de nada vale ganhar o mundo que te não pertence e perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida moral". Essa frase me fez refletir muito sobre diversas situações da minha vida, em especial, naquelas em que eu resolvi mudar características peculiares da minha personalidade para tentar agradar outrem. Digo "tentar" porque na maioria das vezes que desviei-me de mim mesma, além de continuar desagradando as pessoas ao meu redor, eu me tornei infeliz pelo simples fato de não gostar de ser outra pessoa além de minha essência. Minha essência: ser quem eu sou independente do que os outros acham, do jeito que eu gosto de ser, falando as bobagens que eu gosto de falar, tomando decisões para a minha vida de acordo com os meus valores e minhas crenças. Como já dizia o poeta, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

Não adianta fazer escolhas de acordo com a opinião dos outros porque é você quem terá que conviver consigo mesmo, com seu eu-lírico. E, certamente, existem muitas pessoas no mundo que admiram a sua essência!

Peço que faça uma experiência, caro leitor: enumere quantas pessoas se importam com você, quantas pessoas sentem a sua falta perante sua ausência, quantas pessoas valorizam a sua essência e quantas pessoas estariam ao seu lado nos seus momentos de sucesso (sucesso sim, porque é muito mais fácil ser solidário e ajudar ao próximo do que aplaudir de pé as conquistas alheias que ofuscam nossas invejosas almas orgulhosas). Contou quantas pessoas são? Chame este número de X. Enumere, agora, quantas pessoas te criticam, quantas pessoas dizem que você precisa mudar e te induzem a seguir um caminho que muitas vezes você não concorda. Chame este número de Y. Agora compare seu X e seu Y.
Se o seu X for maior que o seu Y, veja como você é querido e saiba que você tem grandes amigos perto de você. Se o seu Y for maior, você provavelmente está cercado pelas pessoas erradas, que talvez não compreendam a beleza do seu eu-lírico.

É fundamental destacar que esta não é uma crítica a ninguém. É apenas uma reflexão pessoal que reflete todas as porradas que a vida me deu e me fez entender que, mais do que tudo, devo amar minha essência. Porque a única pessoa de quem não podemos nos afastar somos nós mesmos. 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Matemática por opção, professora por diversão

Iniciar um relato refutando uma crença já disseminada pode ser uma boa estratégia para desconstruir alguns conceitos enraizados nos leitores e aumentar as chances de aceitação da ideia central a ser exposta. Pois bem, dividamos este texto, então, em três etapas:

1. Desconstruindo. Não decidi ser professora de Matemática por amar Matemática. Quando optei por cursar Matemática, eu achei que poderia ser alguém notável como Pitágoras ou Euclides. Não sabia ao certo o que fazer e me aventurei a entender o mundo da "ciência das ciências". Ao longo dos dois primeiros anos da faculdade a ficha foi caindo: eu não amo a Matemática! À nível superior, muitas vezes a Matemática me traiu e me decepcionou. Diversas outras vezes decepcionei a mim mesma tentando agradar à Matemática. O que me fez continuar neste caminho? Vivi uma descoberta espetacular: eu gosto de dar aulas. Hoje eu entendo que somos grandes amigas e que não poderia mais viver sem ela. Não apenas porque ela platonicamente me encanta, mas principalmente porque ela me leva à escola, à sala de aula e, especialmente, aos meus alunos.

2. Referenciando. Quando eu era adolescente, costumava brigar muito com a minha mãe. Simplesmente porque ela era chata e implicava comigo. Eu queria ir pra festa e chegar em casa de madrugada, ela não deixava; queria conhecer pessoalmente pessoas que encontrava na internet, ela implicava; queria comer no McDonalds umas três vezes por semana, ela proibia. Eu não aguentava ela mandando na minha vida o tempo todo! Que droga! Eu já era bem grandinha pra tomar as minhas decisões sozinhas, né? Não. Dez anos depois, eu entendi que não. Entendi que eu era a chata e que ela me ama mais que tudo no mundo. Que todos os "não"s que ela me disse até podiam ser dolorosos ao me ver triste em resposta, mas era a escolha certa pra me proteger e pra me poupar de maiores sofrimentos futuros. Hoje eu sei que ela seria capaz de tudo por mim. Me defende como uma leoa preserva seus filhotes. Me encoraja e me dá suporte quando preciso. Me consola quando o mundo me magoa. Me dá colo, estimula mas também me corrige quando cometo erros. Enfim, me educa.

3. Construindo. Meus alunos. Meus amores! Cada qual com sua peculiaridade e extravagância. Meus pestinhas que vivem aprontando e fazendo palhaçada nos momentos menos oportunos. Vocês não fazem ideia do imenso carinho que guardo por vocês. Os meus dias não teriam a mesma graça sem vocês. Sei que muitas vezes a figura do professor não representa mais do que um cara chato que fica falando de trigonometria ou geometria analítica umas 2h por semana, evitando que você possa dormir um pouquinho mais. O meu objetivo aqui é dizer pra vocês que, apesar de também adorar acordar às 12h, eu acordo feliz às 6h30 quase todas as manhãs porque sei que em alguns minutos vou estar com vocês. E me divertir com vocês. É claro que tem suas exceções, mas em sua maioria os meus alunos são incríveis!

Mais do que nunca, tenho a certeza de que nasci pra ser professora. O professor é um camarada carente, não é mesmo? Mesmo tendo diversos amigos pela vida, ele vai pra sala de aula conhecer e se relacionar com mais umas 200 pessoas por ano - no mínimo - e vai acumulando essas preciosidades por uns 20 anos, se não 25 ou até mais. Fico imaginando quantos fofoletes ainda terei o prazer de encontrar e me divertir por tantos anos. Mal posso esperar :)

Mas nem tudo são flores, amigo. Muitas vezes nos decepcionamos e nos magoamos também. É deveras complicado. Contudo, o que mais me corta o coração é ver um aluno triste, desmotivado, magoado ou desencorajado. E é aí que entra o referencial apresentado acima. Tenho vontade de pegar os meus fofoletes no colo e dar carinho pra eles. Ainda que não faça tanta diferença, é importante que vocês saibam que o meu objetivo não é ensinar Matemática, mas sim ser espectadora e colaboradora das vitórias individuais de vocês. E, para tal, eu vou lutar por cada um. Seja para defendê-los como uma leoa ou para ajudá-los a serem seres humanos melhores. Não melhores do que ninguém, mas o melhor que cada um de vocês pode ser. Quero que saibam que eu acredito inteiramente na capacidade de TODOS vocês e que eu estou disponível para otimizar suas probabilidades de sucesso sempre que precisarem, com todo o amor possível e imaginável.

Talvez o título mais adequado pra esse texto fosse "Matemática por opção, professora pelo coração".