domingo, 2 de novembro de 2014

No meio do caminho tinha uma pedra

Sempre me utilizei deste verso de Andrade para entender o uso das preposições na diferenciação entre objetos diretos e indiretos nas aulas de português. Até hoje, quando me perguntam qual a diferença sintática entre os complementos verbais, explico que o indireto é quando tem a pedra no meio do caminho e o direto, não.
Interessante a função das preposições, não é mesmo? Se utilizadas de maneira incorreta, alteram completamente o sentido da sentença. Por exemplo, quando digo que cursei licenciatura em Matemática, muitas pessoas me dizem "poxa, que legal! Então você é professora DE Matemática?". Respondo, bem orientada que fui: "não, amigo, sou professora PELA Matemática.". Meu objetivo não é ensinar a isolar o x (coitado!), mas discutir como fazemos pra descobrir quantos quilômetros faltam até Maceió dado que saí de Niterói e já andamos 1500 quilômetros de ontem pra hoje. Ou ainda, se mantivermos esta velocidade média de 70km/h, em quanto tempo vamos chegar até a longínqua fronteira Bahia-Sergipe.
A estrada é longa mas o objetivo justifica os meios, neste caso. De que adianta percorrer um caminho sem apreciar a vista? Pode ser mais rápido, é bem verdade. Contudo, para conhecer um lugar, aprecie com tempo, conheça sua história. Pergunte como foi construído, porquê determinadas decisões foram tomadas. Questione.
Minha função na sociedade é tentar responder a estas perguntas e mostrar-lhes que juntos podemos conhecer e construir muitas novas cidades. E como é gostoso viajar, não é mesmo?!
Vamos viajar juntos, amigos? :)