domingo, 2 de novembro de 2014

No meio do caminho tinha uma pedra

Sempre me utilizei deste verso de Andrade para entender o uso das preposições na diferenciação entre objetos diretos e indiretos nas aulas de português. Até hoje, quando me perguntam qual a diferença sintática entre os complementos verbais, explico que o indireto é quando tem a pedra no meio do caminho e o direto, não.
Interessante a função das preposições, não é mesmo? Se utilizadas de maneira incorreta, alteram completamente o sentido da sentença. Por exemplo, quando digo que cursei licenciatura em Matemática, muitas pessoas me dizem "poxa, que legal! Então você é professora DE Matemática?". Respondo, bem orientada que fui: "não, amigo, sou professora PELA Matemática.". Meu objetivo não é ensinar a isolar o x (coitado!), mas discutir como fazemos pra descobrir quantos quilômetros faltam até Maceió dado que saí de Niterói e já andamos 1500 quilômetros de ontem pra hoje. Ou ainda, se mantivermos esta velocidade média de 70km/h, em quanto tempo vamos chegar até a longínqua fronteira Bahia-Sergipe.
A estrada é longa mas o objetivo justifica os meios, neste caso. De que adianta percorrer um caminho sem apreciar a vista? Pode ser mais rápido, é bem verdade. Contudo, para conhecer um lugar, aprecie com tempo, conheça sua história. Pergunte como foi construído, porquê determinadas decisões foram tomadas. Questione.
Minha função na sociedade é tentar responder a estas perguntas e mostrar-lhes que juntos podemos conhecer e construir muitas novas cidades. E como é gostoso viajar, não é mesmo?!
Vamos viajar juntos, amigos? :)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Dan - Parte II

Acabo de ler um livro romântico no qual a donzela perde o amor de sua vida por algumas páginas antes que ele possa reencarnar para fazê-la feliz novamente. Mais do que fazê-la feliz, ele retorna no corpo de outro homem para dar-lhe sentido à vida novamente. A mulher sentira-se vazia e estilhaçada sem o seu amado, o que entendo como ato de extrema bravura, dado que creio não conseguir existir sem a minha alma correspondente.
Sempre fui sentimental, e mesmo sabendo que um livro romântico jamais me decepcionaria em seu desfecho, senti um frenesí agonizante até terminar de ler. Um choro incrédulo e a dificuldade de lidar com tamanha perda precipitaram sentimentos de horror e pânico ao sequer cogitar a possibilidade de sentir parte desta dor.
Foram longos anos até o destino me convencer de que o amor que sempre sonhei existe. E está acontecendo bem aqui, dentro de mim. A cada novo momento ao seu lado, ele me desperta mais desejo, paixão e mais intensidade é creditada às minhas emoções. E mais fortes são os laços do nosso amor, a cada dia.
Em meus estudos religiosos, discutimos o entendimento de que a vida é infinita e que qualquer sofrimento na terra é temporário, visto que nosso espírito jazerá pela eternidade. Portanto, não devemos nos preocupar com alguns poucos anos de solidão. Ora, se o nosso espírito é eterno, nosso amor também haverá de ser, pois não restam dúvidas que somos almas gêmeas. Uma vez conectadas, estas almas estão destinadas a viver juntas pela eternidade.
Ao aceitar este fato, meu coração palpita de contentamento, uma onda de alívio percorre o meu corpo e minhas mãos me permitem enxugar o meu rosto pálido. Ele nunca vai me abandonar e agora não tenho mesmo dúvidas disso.
Como o moço disse à donzela no livro, "Pela eternidade, Christine. Te esperarei pela eternidade.". Não posso te prometer menos que isso, meu amor. Sou sua para todo o sempre.

sexta-feira, 14 de março de 2014

#100HappyDays

Há alguns dias, encontrei um desafio na internet denominado "100 Happy Days" (100 dias felizes, em português). A proposta é que você poste uma foto por dia de momentos felizes que te fizeram bem. No começo achei bastante simples e resolvi aderir. Pensei: mesmo que tenhamos problemas em nosso dia-a-dia é impossível que não tenha nem um momento legal pra nos distrair. Hoje consegui confirmar minha tese.
Desde a hora que acordei, diversos problemas surgiram. Problemas pessoais, desses que a gente nem tenta explicar pra ninguém porque só quem tá sentindo sabe. Nestes dias procuro tomar aquele banho gostoso de manhã, lavar o cabelo e penteá-lo até ficar bem bonito e, ainda, escolho a roupa mais bonita que achar no guarda-roupas. Tudo pra tentar me sentir mais bonita e melhorar meu astral.
Depois de resolver parcialmente meus problemas, fui trabalhar pra tentar espairecer. Quem me conhece sabe como trabalhar me faz bem. E fez, parcialmente. Nesses dias tudo que é bom é parcial. Nada é pleno e, tão pouco belo. Nossa tolerância diminui e novos problemas que pareceriam simples de resolver n'outros dias, parecem icebergs nestes. Sabe, icebergs? Aquelas pequenas geleiras flutuantes que parecem pequenas se vistas de longe, mas que abrem grandes feridas lá no fundo... é assim quando qualquer coisinha dá errado num dia como este. Me sinto culpada, me sinto incompetente, me sinto fraca, sem energia. E tudo vem à tona. Todos os detalhes babacas que deram errado nas últimas semanas se acumulam na minha mente e me fazem sentir chata, feia, gorda, incapaz, burra, arrogante, intolerante... enfim, péssima. Fundo do poço.
Resultado: eu choro. É o que sempre faço quando não sei o que fazer.
E são nessas horas, de aflição e profunda agonia, que moram os meus momentos felizes. É em momentos como estes que aquelas criaturas mágicas que estão espalhadas por toda nossa trajetória aparecem pra nos dar um abraço ou pra nos mandar uma simples mensagem de incentivo. E aqueles cinco segundos mudam tudo. Você se vê como importante pra alguém, como alguém especial. Não há nada que me estimule mais nessa vida do que um amigo.
Por isso, agradeço por todos os amigos que apareceram em minha vida e sempre contribuem para os meus momentos felizes quando estou no fundo do poço. Eles estão espalhados por aí, em diversos lugares frequentados por mim. E tenho certeza que se reconhecem como tais. Obrigada pela paciência. Amo vocês, amigos!
Apesar de todos os percalços, desisti do tal desafio. Não acho justo permanecer num desafio de dias felizes, tendo dias tão tristes no meio. E assumo a derrota com bastante tranquilidade. Afinal, dias tristes são maravilhosos. São eles que nos fazem dar valor às coisas magníficas que temos ao nosso redor e nunca paramos pra agradecer. Hoje agradeço pela oportunidade que venho tendo há 24 anos de enxergar o mundo com uma nova perspectiva a cada dia. Agradeço pelo aprendizado e pelas pessoas incríveis que me cercam. Agradeço pela oportunidade de viver e refletir sobre experiências novas todos os dias. Agradeço por poder contemplar o mundo.

domingo, 9 de março de 2014

Dan - Parte I

Acordei e meio bêbada de sono fui à cozinha beber um pouco d'água. Minha mãe já tinha levantado antes e colocado sobre a mesa da sala as rosas que me deste ontem. Virei menininha novamente e sorri. Sorri porque me lembrei que você me ama. Sorri por saber que tenho ao meu lado um homem maravilhosamente bom, inteligente, divertido, gentil e, acreditem, que é louco por mim.
Fiquei parada ali na mesa, pensando por alguns minutos... pensando como não me cai bem a máscara de mulher macho quando estou com você. Como não consigo, por mais de dez segundos, bancar a durona com você. Como não conseguimos passar nem meia hora chateados um com o outro.
E concluí: estou exposta mais uma vez. Totalmente vulnerável e sensível, mais uma vez. Em quatro meses, você me enfeitiçou e eu te mostrei meus mais profundos sentimentos, defeitos e anseios. E ainda assim, me sinto segura, não tenho medo. Porque confio em você. Confio em nós!

Te amo, Dan.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Presente de Deus

Ah, a vida! Que presente de Deus maravilhoso, não é mesmo? Ganhamos a oportunidade de evoluirmos, de nos relacionarmos, de conhecermos o mundo, de nos aventurarmos, de trabalharmos duro, de enriquecermos nossos conhecimentos, de otimizarmos nossas virtudes, de corrigirmos nossos defeitos... tudo isso faz parte de um processo prazeroso, demorado, delicioso, doloroso e que exige muita coragem.
- "Coragem, Natasha? Por que?"
Sim, coragem. Os obstáculos são duros, são grandes e são numerosos. Precisamos encará-los com paciência, bom humor, leveza e cuidado. Acho que esse, na verdade, é o grande desafio. Gerenciar os problemas - e resolvê-los - sem deixar a peteca cair. Você consegue? Eu não consigo. Sempre me irrito e o processo de resolução demora mais do que eu gostaria. Considero os que conseguem grandes vencedores.
Por outro lado, também precisamos entender que cada um tem a sua maneira de resolver seus "pepinos". Algumas pessoas adotam métodos considerados eficientes para Joãozinho, mas que podem ser um total desastre se adotados por Mariazinha. Isso vai variar muito de acordo com as preferências de cada um e com seus objetivos de vida, de maneira geral. Pois bem, chegamos ao ponto central deste bate-papo.
Cada indivíduo está vivendo sua própria vida no sistema 24/7 (vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana). Cada indivíduo conhece todas as suas variáveis, todas as vantagens e desvantagens e sabe onde o calo aperta mais. "(...) cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é (...)". É ele quem vai ter que lidar com as escolhas que fizer. É ele quem vai comer a cereja do bolo. É ele quem vai ter que passar noites em claro pra dar conta dos compromissos que assumiu. É ele quem vai sofrer todo o processo de adaptação de qualquer projeto novo que resolver se engajar.
Então, afinal, responda para mim, caro leitor: quem deve decidir o que fazer de sua vida? Quem deve avaliar os caminhos a serem seguidos? Por fim, quem deve fazer essas escolhas? São tantas possibilidades, tantas decisões, tantos problemas pra resolver... quase não conseguimos dar conta de tudo, não é mesmo?
Pois bem, por conta disso tudo, fico impressionada como tem gente por aí que ainda consegue tempo pra dar palpite na vida alheia. Ou pior: na minha vida. Por que não tentam resolver seus próprios problemas antes de vir tentar resolver os meus? Pode ter certeza, querido(a), se a sua opinião for importante pra mim, eu vou pedi-la. Portanto, se você não for o meu pai ou a minha mãe, por favor, faça escolhas que envolvam apenas a sua vida e o seu tempo, ok?
Afinal, Deus deu uma vida pra cada um, pra cada um cuidar da sua!