segunda-feira, 6 de maio de 2013

XX x XX

Outro dia um amigo me disse que as mulheres costumam ser muito ciumentas e territorialistas. No mesmo instante me coloquei contra esse tipo de atitude feminina e jurei que jamais me posicionei ou me posicionaria desta maneira. Como nunca tinha pensado sobre isso com calma, me propus a refletir sobre o "causo" e se realmente eu não me enquadrava em tal paradigma.
Consegui arriscar alguns palpites sobre o tema, após alguns dias de reflexão (seja do verbo refletir, devanear, ou do ato de observar seu próprio reflexo). Entendi muitas coisas interessantes sobre mim e pude enxergar algumas marcas dos valores torpes da sociedade, mesmo sem concordar com os mesmos em sua maioria.
O que acontece é que vivemos em um mundo que exalta o melhor da classe, a mulher mais bonita do mundo, o rapaz mais musculoso de Hollywood e os maiores bilionários do mercado financeiro. Esses são exemplos a serem seguidos e se você não procura alcançar algum desses status, você está fora do "mercado". Porque, sim, somos tratados como mercadorias uns pelos outros.
A parte ruim dos extremos (aliás, eu nunca gostei de extremos) é que eles só conseguem ser alcançados por um pequeno grupo social, enquanto que os que compõem o "meio" da coisa ficam competindo entre si pra ver quem ganha mais, quem é mais interessante ou quem sabe mais física nuclear. A maioria das pessoas acredita que os extremos estão distantes da sua realidade, então lhes resta ser melhor que seus vizinhos ou que seus colegas de trabalho, apenas. Mas o efeito dominó não perdoa e, aos poucos, todos querem ser melhores que todos.
Eu vivo num mundo onde as mulheres devem ser gostosas para serem boas namoradas. Elas não precisam mais ser carinhosas, sinceras, amáveis, compreensivas, gostar de crianças e de animais, ter um bom coração e nem se preocupar com os amigos e com a família. Hoje em dia, elas precisam usar o salto mais alto, as roupas mais caras e maquiagens que as deixem mais sensuais. Elas não precisam mais vestir algo que mostre quem elas são de verdade. Elas precisam ser a mulher mais atraente da festa, a mais interessante aparentemente. E elas conseguem aparentemente. Elas são essa "aparência". Só que aparência não é ser, de fato. É apenas "parecer". E o "ser" fica onde? Na superfície. Porque um dia o parecer acaba e elas se tornam apenas pessoas fúteis e superficiais.
Então, por que as mulheres são competitivas e territorialistas? Porque os novos valores da sociedade as obrigaram a serem assim. Porque os homens alimentam a disputa e enaltecem apenas as mais "tops". Porque elas sabem que as outras mulheres fazem de tudo para serem (ou, repito, parecerem ser) melhores que elas. E por que precisam disso? Porque é assim que elas se valorizam. Porque não estão lá no extremo, no grupo social elitizado. Precisam se autoafirmar de alguma maneira.
As mulheres, em geral, tem medo de "perder". Perder pra outra que é mais inteligente, perder pra outra que é mais animada, perder pra outra que é mais gostosa. Por isso, vivem por trás de sorrisos, baladas animadas e imagens seguras. São poucas as que tem consciência das regras do jogo. São poucas que não ligam de perder os peões para proteger a realeza. Até porque, para cada rei há oito peões.
Por fim, chegamos a um ponto onde as crianças já crescem seguindo esse esteriótipo, sem mesmo saber o porquê. Até porque quem as educa não sabe. Fui a uma festa essa semana onde vi crianças com cerca de 3 ou 5 anos com sandalinhas estilizadas e sombras nos olhos. Não é a toa que agora os adolescentes tem contato com a sexualidade tão cedo.
As mesmas distorções de valores são encontradas em outras classes, na busca pelo poder. Mas isso é outra história...