domingo, 13 de maio de 2012

Mommy

Relações simbióticas nunca são fáceis. Toda aquela dependência gera uma insegurança de viver não apenas no mundo, mas pro mundo, interagindo com outras criaturas, sem as asas protetoras do seu alguém especial por perto, pra te socorrer quando qualquer coisa estiver na inércia de acontecer.
Sempre mantive uma relação simbiótica com a minha mãe. Desde 03 de julho de 1989 (ou até antes, outubro do ano anterior), ela me alimentava, conversava comigo, me educava, fazia carinho e dedicava boa parte da sua vida à minha existência. E não mudou muito daquela época pra cá. Ela se dedica imensamente a mim e demonstra certa melancolia quando diz repetidamente que "relação entre pais e filhos nunca é justa, equilibrada". Mas afinal, será que é verdade que criamos filhos pro mundo?
Eu acho que não. Criamos filhos pra viver no mundo, pra serem criaturas independentes, pra se fazerem felizes criando relações com outras criaturas e buscando seu lugar em algum espaço finito. Criamos filhos pra termos orgulho das suas conquistas e sabermos que, sem nós, eles jamais chegariam lá. Mas os filhos continuam nossos e continuarão ao nosso lado pra sempre.
Há pouco, eu consegui começar a dissolver essa simbiose, porque quando algo não se faz mais necessário, deixa de ser saudável, para ambas as partes. Enfim, fui encontrar meu espaço finito, me relacionar com tais criaturas, ser reconhecida  pelas minhas capacidades e conquistas. A quebra de uma relação compacta (fechada e limitada) não significa a quebra da relação, de fato; apenas deixa de ser fechada e limitada àquelas duas pessoas. Se transforma numa relação de compartilhamento; vamos compartilhar nosso espelho simbiótico com o mundo, mantendo o mesmo amor, amizade e companheirismo que havia antes. E mesmo nessa nova conjectura, a relação entre pais e filhos é injusta.
Pois bem, minha mãe: meu exemplo de mulher.
Sim, brigamos muito, e feio. É briga de cachorro grande, pra Mike Tyson nenhum colocar defeito. Discutimos, nos aborrecemos, nos ignoramos por algumas horas e nos perdoamos. Nos perdoamos sempre, mesmo que seja difícil, porque o amor incondicional tem dessas coisas. E não existe amor maior que entre pais e filhos. Amor esse, que me torna totalmente vulnerável ao pensar que qualquer coisa de ruim poderia acontecer a ela a qualquer instante, porque a simbiose nunca é totalmente dissolvida, como um conjunto de Cantor.
Minha melhor amiga, me conhece mais do que eu mesma. Também, pudera, com toda aquela psicologia impregnada! Ela conhece os meus ímpetos e segredos mais íntimos e sabe como curar qualquer erro no meu disco rígido. Ela me ensinou a ser forte, a lutar pelo que eu quero, a brigar por causas nobres e a amar. Ela me ensinou a ser. E eu gostaria ser muito mais pra ela e por ela, minha maior professora.

Mãe, essa é a minha homenagem a você.
Feliz dia das mães!