sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nair

Depois de meses sem nada postar, me peguei ensaiando, no ônibus, alguns dizeres sobre uma ou outra pessoa especial. Nada consegui esboçar... até hoje.
Bateu, de súbito, uma saudade agradável dos tempos de escola e aquele blog que tanto gosto fez-me lembrar de uma grande amiga. Uma linda bailarina!
Foi ela quem, em 2004, se aproximou de mim, me tirando de uma solidão inenarrável. Por incrível que pareça, naquela época eu não tinha amigo algum na escola. Era tipo o patinho feio da sala, sabe? Mas ela e sua gentileza sem tamanho eram superiores a isso.
Através dela, os outros também foram se aproximando e eu baixei a guarda. Formamos, hoje, um belo grupo de amigos inseparáveis que, apesar das brigas, se ama demais. E como brigam! rs
Mas voltando à ela, minha amiga querida. Nossas vidas atribuladas nos afastaram muito. Principalmente agora que ela tá toda chique fazendo faculdade e dançando pelos teatros da vida. E como eu esperei para vê-la feliz desse jeito!
Lembro-me de quando éramos adolescentes e nossos problemas mais terríveis eram aquelas malditas provas de Geografia de Zezinho. Ela que sempre quase gabaritava as provas de Literatura e Biologia e eu as de Matemática e Física. Passávamos horas a fio no telefone sem fio, andando pela casa, lavando a louça e varrendo o chão pra mamãe não brigar e termos que desligar o telefone.
Nos dias de depressão, eu chorava por achar que ninguém no mundo gostava de mim e ela me ouvia e dizia como eu era especial na vida dela. Nos dias que ela brigava com o pai, me ligava bufando e eu morria de raiva dele também. A gente saía, ia no shopping, eu ficava à tarde na escola de bobeira, segurando vela pra ela só porque sua companhia era maravilhosa.
A gente passava horas conversando sobre coisas que os outros não conseguiam conversar com a gente, como Westlife, Avril Lavigne, HP, as histórias dark das primas dela, como foi incrível a viagem pra Punta, as diferenças do inglês britânico pro norte-americano e como o piercing do Cassiano era charmoso. Eu lembro de tudo, viu, amiga? rs

"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos. Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... 
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe, nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar, meses, anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo!
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente. Quando o nosso grupo estiver incompleto, nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado. E nos perderemos no tempo.
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
"
(Vinícius de Moraes)

Eu sei que esta é uma amizade de verdade! Uma daquelas que vou lembrar quando estiver velhinha e, chorando, contarei pros meus netos.
Eu seria capaz de morrer por ela. E sei que ela faria o mesmo por mim.